Cazuza cresceu em um ambiente musical privilegiado, recebendo em casa grandes nomes da nossa música. Isso graças ao seu pai, João Araújo, que foi empresário e produtor musical de artistas icônicos. João faleceu em 30 de novembro de 2013, mas sua influência foi decisiva para a formação artística do filho.
No início dos anos 80, Cazuza entrou para o Barão Vermelho, participando dos dois primeiros álbuns da banda e contribuindo com seu talento para escrever letras marcantes. Entre 1981 e 1985, foi o principal letrista do grupo, tendo Frejat como parceiro musical inseparável.
Juntos, eram uma verdadeira fábrica de hits — uma dupla criativa e afinada, comparada por muitos a Lennon e McCartney, em versão brasileira. Mas Cazuza também amava Cartola, Dolores Duran e Noel Rosa tanto quanto idolatrava Stones, Hendrix e Janis Joplin. Queria novos ares — e assim veio seu amadurecimento artístico. Saiu do Barão porque desejava cantar MPB, bossa nova e samba. A saída da banda, no entanto, não marcou o fim da parceria com Frejat, que durou até sua morte, em 1990, vítima do HIV.
A doença mudou profundamente sua visão de mundo. Ele mesmo afirmou em entrevistas que deixou de ser cético e passou a ter fé — uma espiritualidade pessoal, sem rótulo religioso, mas cheia de respeito pelas crenças dos outros. Disse que a doença lhe deu fé. Antes, se considerava agnóstico, até ateu. Também passou a aceitar seu nome de batismo — Agenor — ao descobrir que Cartola, seu compositor favorito, também se chamava Agenor.
Sua fase no Barão Vermelho carregava brasilidade e malandragem carioca, mas foi curta. Como ele mesmo dizia: “Sou mais velho, mais louco e mais boêmio.” A banda sentiu sua ausência, mas conseguiu seguir seu caminho. Já na carreira solo, Cazuza lançou diversos sucessos — o primeiro deles foi Exagerado, que também nomeou seu álbum de estreia em 1985.
"Não me considero um cantor. Não passo de um letrista que canta", disse certa vez. Outro sucesso marcante foi Brasil, inspirado, segundo ele, por uma "inveja criativa" da música Que País é Esse, de Renato Russo — que, por sua vez, prestaria homenagem a Cazuza após sua morte.
Ao lado de nomes como Renato Russo, Júlio Barroso (Gang 90), Lobão, Arnaldo Antunes, entre outros, Cazuza foi um dos maiores talentos de sua geração. Sua poesia, rebeldia, loucura, genialidade e coragem diante do HIV — que naquela época era quase uma sentença de morte — marcaram uma era.
35 anos depois, seu legado segue vivo. Enquanto houver Brasil, haverá Cazuza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário