O roqueiro Lobão voltou a causar polêmica ao criticar o heavy metal em uma recente entrevista. O músico afirmou que o gênero seria uma “m*rda”, comparando-o ao sertanejo e apontando que o metal teria perdido a essência negra e blues que deu origem ao rock. A fala rapidamente gerou repercussão e dividiu opiniões entre fãs e artistas.
Segundo Lobão, o metal “se tornou uma caricatura de si mesmo”, afastando-se de suas raízes culturais e rítmicas. Ele ainda criticou bandas consagradas como o Iron Maiden, classificando o som como “acelerado e sem swing”, algo que, segundo ele, tiraria a alma do rock.
Mas será que ele tem razão?
🧠 O debate sobre a perda da negritude e o som nórdico do metal
Nos anos 60 e 70, o rock era fortemente ligado ao blues, gênero de origem afro-americana. Bandas como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin — ainda que britânicas — traziam essa influência na alma e nas progressões harmônicas. Com o passar do tempo, o metal começou a trilhar caminhos mais sombrios, épicos e europeus, o black metal norueguês é um bom exemplo de estilo que se distanciou quase por completo da herança do blues.
Concordo e discordo. Sobre a perda da negritude do rock para se tornar algo mais nórdico ou europeu, é fato que bandas como Black Sabbath e Deep Purple ainda carregavam fortemente a influência do blues, a essência negra do rock. Esse afastamento, no entanto, não determina se o som é bom ou ruim.
O metal, principalmente em suas vertentes mais pesadas — como o black metal norueguês — realmente tem pouquíssima influência do blues. Mas não vejo isso como um problema. Eu mesmo gosto muito da mitologia nórdica e da Escandinávia; se o som é bom, vou gostar, independente da origem.
Outra coisa que o Lobão comenta é não gostar da aceleração típica do metal. Já eu curto isso no rock em geral, embora também aprecie sons mais lentos, progressivos ou psicodélicos.
De fato, o rock acabou se tornando mais branco que negro, mesmo que muitas bandas ainda preservassem a influência negra original. Costumo até brincar dizendo que o início da “branquitude intelectualizada” do rock veio com Dylan, Lennon, Clapton e toda aquela geração da virada dos anos 50 para os 60 — mas nem por isso eles deixaram de lado as raízes negras do blues.

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